“…Um período de depressão precede o emergir de um momento criativo. Como a palavra sugere, na depressão a pessoa é pressionada para baixo, comprimida, em geral porque uma parte da libido psicológica está embaixo e tem de ser resgatada: a energia da vida caiu numa camada mais profunda da personalidade e só pode ser alcançada pela depressão: de repente, desse mergulho profundo, surgirá um impulso de vida e de criatividade.”
(Marie Louise Von Franz, 1993)
O que é Depressão?
O termo depressão, de modo geral, significa patologia do humor. Diferentemente do que a maioria das pessoas acredita, a depressão não está relacionada com a vontade do indivíduo.
Do ponto de vista clínico, a depressão é associada a um conjunto de sintomas que podem envolver a psicomotricidade e desencadear distúrbios somáticos e neurovegetativos.
A depressão não surge de uma hora para outra, ela é um processo que pode ser originado por diversas causas diferentes, como por exemplo: luto, situações traumáticas, separação, pós parto, etc.. Existem casos em que não há apenas um fator determinante, mas um conjunto de fatores que vão se somando com o decorrer do tempo.
Tristeza ou Depressão?
É comum confundir tristeza com depressão e vice-versa. Quando a pessoa passa por situações de perdas e traumas é saudável que sinta-se triste e possa vivenciar esta fase com o intuito de elabora-la e, consequentemente, supera-la.
A tristeza dura poucas semanas e a pessoa reage, retomando as suas atividades. Contudo, quando este sentimento se estende, a pessoa tem dificuldade para retomar suas atividades cotidianas e a situação se agrava, provavelmente a pessoa está depressiva.
Quais são os sintomas da pessoa com depressão?
A depressão é caracterizada por uma série de sintomas. Reconhecer os sintomas pode auxiliar na identificação da doença. Consultar um profissional, médico e/ou psicólogo, é fundamental para a realização do diagnóstico e prescrição do tratamento adequado.
Seguem abaixo diversos sintomas relacionados à depressão:
- Lentidão dos pensamentos;
- Lentidão física e/ou mental;
- Irritação sem motivo aparente;
- Ansiedade;
- Angústia;
- Redução da energia;
- Desânimo constante – é como se a vida e as coisas à sua volta tivessem perdido a cor;
- Cansaço fácil;
- Incapacidade total ou parcial de sentir alegria e prazer;
- Desinteresse – nada tem graça;
- Apatia ou agitação psicomotora;
- Dificuldade de concentração;
- Pensamentos negativos;
- Pensamentos confusos;
- Incapacidade de planejar o futuro;
- Desesperança;
- Sensibilidade a tudo que vê e ouve;
- Melancolia;
- Todas as situações à sua volta são desagradáveis;
- Qualquer problema se potencializa e não se sente capacitado para resolvê-las;
- Nada te faz sentir melhor;
- Sono agitado e que não satisfaz;
- Os medicamentos parecem não surtir efeito;
A frequencia e a intensidade dos sintomas variam de uma pessoa para outra e de acordo com o grau da depressão.
Tratamentos
O tratamento da depressão tem inicio com o seu diagnóstico e o quanto antes este for realizado, maiores serão as chances de se recuperar sem sequelas. A recuperação do paciente depende principalmente do quanto ele está disposto a se ajudar e a receber auxílio.
Para obter melhores resultados contra a depressão, faz-se necessário um tratamento conjunto entre médico psicólogo.
Apenas um médico pode prescrever antidepressivos e outros medicamentos, quando isso é necessário. A automedicação ou o uso de medicamento indicado por terceiros pode agravar o quadro clínico e colocar em risco a vida da pessoa.
Somente o uso de remédios não irá resgatar a pessoa da depressão. Por isto é importante a pessoa querer modificar a situação, mas nem sempre é possível reverter o quadro sozinho. Neste processo, o acompanhamento psicológico é de extrema ajuda.
O psicólogo auxiliará o paciente a lidar com seus sentimentos, aprender a expressá-los, a recuperar o sentido da própria existência, observar como reage nas mais diversas situações e encontrar outras maneiras de agir, levando-o ao autoconhecimento.
Tratamentos Complementares:
Existem outras ações que repercurtem beneficamente na recuperação do paciente com depressão, contudo nenhuma delas substituem o tratamento médico e psicológico:
- Frequentar ambientes alegres;
- Estar junto de pessoas que são importantes na sua vida;
- Fazer caminhadas regularmente;
- Praticar atividades físicas regularmente;
- Praticar meditação;
- Praticar relaxamento;
- Praticar yoga;
- Fazer leituras altruístas;
- Exercitar a fé;
- Praticar uma religão que seja condizente com a sua crença;
- Tomar sol;
- Ouvir música;
- Dançar;
- Fazer o que te dê prazer;
Vale ressaltar que a psicoterapia, os exercícios mentais de relaxamento, a reflexão, a meditação e as atividades físicas produzem resultados certeiros, mas não são como passes de mágica ou da noite para o dia que surtirão efeito, principalmente para aquelas pessoas que não têm o hábito dessas práticas. A persistência e a prática diária dessas atividades permitirão que seu corpo e mente criem uma memória corporal salutar, bem como a atuem no organismo para restabelecer o equlíbrio psicofisico.
Apoio Familiar
A depressão assim como outras doenças mexe com a dinâmica familiar. Contudo, por se tratar de uma doença psíquica e emocional, muitas vezes os familiares encaram-na como frescura, má vontade, preguiça, desculpa para não agir… Isto acontece porque diferente de outras doenças de cunho fisiológico, no qual o médico prescreve um medicamento eao termino do mesmo os sintomas desaparecem, a depressão atinge o físico, mas tem origem psicológica.
A depressão não pode ser curada apenas com uso de medicamentos e muito menos num curto espaço de tempo, eles fazem parte de um tratamento mais amplo.
O apoio familiar é de fundamental importância para que a pessoa com depressão consiga supera-la.
A família precisa ser paciente com o depressivo e emocionalmente forte para suportar as situações recorrentes de adoecimento. Há casos em que os familiares também necessitam de acompanhamento psicológico para cuidarem do seu ente.
Brigas e cobranças com a pessoa em questão ao invés de ajudar irão fomentar ainda mais o sofrimento e os sentimentos e sensações de impotência. Então, o que fazer? Como agir?
Auxiliar e incentivar o seu ente a seguir os tratamentos prescritos contribuem consideravelmente para sua recuperação. Os conselhos e ações devem ser coerentes e muitas vezes é imprescindível que os familiares se disponibilizem para fazer as atividades juntos até que o depressivo consiga fazer sozinho.
Considerações Finais
Assim como tudo na vida tem um lado positivo, a depressão também tem. Ela é um alerta de que algo não vai bem e merece cuidados para que a transformarção aconteça.
Quem vive este processo tem a impressão de que a vida é insipida, estéril e sem significado, pois este é o momento de dar novas cores e ressignificar as experiências.
A maioria das pessoas que superam este transtorno se tornam seres melhores, mais fortes e conscientes do próprio potencial, descobrem talentos que desconheciam e passam a viver com mais qualidade. Isto se dá porque encarar a depressão é uma forma de autoconhecimento e possibilita à pessoa entrar em contato com seus desejos e medos mais secretos.
A dor na alma, nesta situação, é inevitável, mas o sofrimento e a forma como vai lidar com isto é inerente às escolhas!
E você o que escolherá para sua vida?
Você pode contar com meu apoio profissional, juntos o caminho se torna menos árduo!
Maravilhosa sua abordagem da depressão, Marcela.
Nossa cultura/sociedade não tem dado suporte para este mergulho nas profundezas da alma, além de negar muitos sentimentos como a tristeza, talvez por isso o aumento da depressão nos últimos anos. Que bom que tem psicólogas como vc e este teu site para esclarecer nosso olhar.
Abraços
Querida amiga, adorei esta mensagem!!Mostra como é verdadeiramente, conheço bem, já passei por isso duas vezes,você não sai sozinha desta situação, somente um médico para te ajudar.Um grande beijo!!
obrigada pelo carinho
inilceia